A CULTURA DO ÓDIO – CRÔNICAS POÉTICAS #8

hate

Qual é o antônimo do amor? O ódio? Não, não mesmo, quem não ama tem um mantra muito especial; “não quero ver essa pessoa nem pintada de ouro”. Frase curiosa, pois a pessoa desgostosa não poderia ser vendida, e mesmo que pudesse, alguém incapaz de tomar um banho não deve ter um valor tão especial assim no mercado. A verdade é que o oposto do amor é a indiferença, o ódio é apenas a irracionalidade do amor. Você acha que ama tanto algo que precisa odiar o que se opõe àquilo. “Eu amo tanto o Vasco que preciso odiar o Flamengo” “Amo tanto o rock que tenho que odiar o funk” “Amo tanto Ivete que minha missão é odiar Claudinha”. O problema de ter o ódio como carro chefe não está naquele clichê que afirma que os sentimentos ruins vão nos matando aos poucos, afinal, isso seria bom, já que ninguém está com pressa de morrer. Pessoas odeiam, pois acreditam que um postura radical e agressiva as torna mais intelectuais. A internet e as redes sociais despertaram um sentimento que, acredito eu, sempre esteve vivo, mas precisava de um espaço para poder ser alojado e, pior, precisava de seguidores que pudessem aprovar tal comportamento. Perdemos a capacidade de ignorar o que não nos agrada, sempre temos uma opinião sensata e abalizada por qualquer site ou qualquer teoria, todos viraram técnicos do The Voice do dia pra noite e perceberam que Pablo Vittar não presta. Críticos de arte estão em abundância no facebook, o caso do MASP deixou isso bem claro e, pior, todos, canhotos e destros, são entendedores sagazes de política, mas só da política do outro lado, que, não coincidentemente, sempre está errado. Aqui vai uma sugestão, ao invés de postarmos algo destilando nosso ódio para o que pode ser facilmente ignorado, podíamos postar o oposto disso. Por exemplo, se você não gosta da Jojo Achocolatado, ao invés de dizer algo contra ela, poderia dar uma sugestão de uma banda que curta muito, assim não estará depreciando o trabalho de ninguém e ainda estará ajudando um artista que você gosta. Vivemos tempos complicados e a paz, cada vez mais, vira somente uma palavra perdida em um velho dicionário.

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