“COMO NOS PROGRAMAS DE TELEVISÃO DAQUELE ADVOGADO, O ‘PEDE MAIS UM’!” – CRÔNICAS POÉTICAS #14

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Essa é uma história muito engraçada, muito aventuresca, muito divertida…mas só na minha cabeça. As partes integrantes dela chamam, tudo que contarei, de rotina, já eu chamo de mais um episódio do “Pede Mais Um”.

Minha amiga advogada me convocou para ir com ela ao fórum utilizando o seguinte argumento:

– Quer ganhar cinquenta reais?

– A quem eu tenho que matar?

– Ninguém.

– Fechou!

Lancei-me em direção ao local com algumas frases na mente já prontas para serem usadas em júri. “Eu só falo na presença da minha advogada” (mesmo ela estando lá) “Juiz, ele está tentando envergonhar o meu cliente!” “Aciono a cláusula XII”. Cheguei e fui informado que não precisaria dizer nada. Sequer soube do que se tratava o processo e a minha única pergunta respondida foi “o juiz usará uma peruca branca?”. A verdade é que entramos em um cubículo, a conciliadora fez meia dúzia de perguntas respondidas com monossílabos e, quinze minutos depois, já estávamos liberados. Foram os cinquenta reais mais decepcionantes da minha vida.

Saí de lá e fui no escritório de advocacia de outra amiga para resolver pequenas pendências judiciais (afinal, com Lula preso tudo ficou mil maravilhas, inclusive a justiça). Foi aí que descobri que o escritório da minha amiga era responsável pelo lado contrário da ação que acabara de fazer parte. Putz! A emoção voltou. Me senti no filme do Scorcese, como um policial infiltrado na máfia (ou vice-versa) ao lado Di Niro. Ela começou a falar sobre o processo e eu pude usar uma das frases que gostaria de ter dito anteriormente:

– Isso não é antiético? – Falei abaixando o chapéu invisível da cabeça.

– Não, você não tem importância nenhuma para o processo.

Essas belas palavras me fizeram voltar a realidade e perceber que aquele universo de “doutores” não era pra mim. É muito terno, muita gravata, muita toga, pra pouca justiça. Nós, reles mortais, somos a peça que menos importa para todo esse jogo. A justiça que tem como símbolo uma pessoa que não enxerga, está mal representada, pois ela não é cega, ela é míope, só vê quem estiver próximo dela.

E aquele dia se esvaiu na expectativa de me encontrar com Viola Daves, porém tive somente mais uma tarde comum. Na verdade, não tanto, só valeu por uma coisa; aqueles momentos, de fato, pareceram mesmo com um episódio do “Pede Mais Um”.

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