OS ADULTOS DE HOJE NÃO CONSEGUEM DEIXAR DE SER CRIANÇAS – CRÔNICAS POÉTICAS #17

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Camisa de Super-Herói? PRESENTE! Bonecos espalhados pelo quarto ou pela sala? PRESENTE! Animais de estimação tratados como se tratavam as bonecas? PRESENTE! Rotina quase mensal nos cinemas assistindo filmes nostálgicos? PRESENTE…É, os adultos de hoje em dia, homens e mulheres, pararam na infância e não conseguem sair de lá de jeito nenhum. Isso é ruim? Sei lá.

Duas questões me fizeram chegar a essa conclusão; O hype de Vingadores – Guerra Infinita e a chateação das mães de bichinos de estimação por serem “excluídas” das comemorações do dia das mães.

O primeiro exemplo está mais próximo de mim. Peguei a sessão de cinema mais tarde que tinha, pois morria de ansiedade pra ver como vários seres superpoderosos iriam derrotar um alienígena gigante roxo atrás de uma pedrinhas cósmicas. Na sessão havia muito mais pessoas adultas do que jovens. Todo esse mercado de super-herói é voltado aos “adultos” que precisam estar em constante contato com a sua infância. Crescer sempre foi uma obrigação, amadurecer que nem tanto, mas a questão é que essa falta de maturidade já não é mais tão mal vista. Será que isso é bom?

No último domingo, dia das mães, as mulheres donas de seus animaizinhos entraram em uma briga via twitter com o youtuber Cauê Moura por ele ter afirmado que “mãe de pet não é mãe”. As “mães” se chatearam com a afirmação do youtuber dizendo que se elas se consideravam mães, então eram mães. Tratar o animal de estimação como um filho nunca foi novidade, mas brigar pelo termo “mãe” é um pouco demais. Cada vez mais ter um animal é como brincar de boneca; se compra roupinha, comidinha, casinha… acho que as coisas estão saindo do controle.

Lembro de quando meu pai tinha contato com algo da infância dele. Ele sorria, contava a história que havia por trás daquela nostalgia e fim, vida que segue. Hoje vivemos perseguindo essa nostalgia o tempo todo, como uma cenoura na frente do nariz, só que dessa vez ela está atrás da nuca e faz com que a viagem ao passado mal deixe lugar para explorar o que há no presente ou que o próximo passo nos leve ao futuro.

Para não ser hipócrita, a foto em questão é do rack daqui de casa. Me enquadro em quase tudo que critiquei (menos em ser mãe de pet, aí já é um pouco demais) e tento, aos poucos, me desligar do que me fazia uma criança feliz. Mas é difícil… a vida adulta é difícil, pagar contas, cair na rotina, fazer comida, limpar a casa… é complicado e a infância é tão quentinho, tão quieto, por isso, constantemente estamos visitando-a.

Não tenho um bom final para esse texto e desculpa ele ter ficado tão grande, mas eu precisava escrever isso pra ficar com um pouquinho de vergonha de visitar a infância. É que era um tempo bom, mas havia um sábio da Praça é Nossa (programa que eu assistia aos sábados junto com meus pais) que dizia algo valioso, e talvez eu não tenha escutado muito bem: “Tempo bom, não volta mais, saudade de outros tempos iguais”.

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