LINHAS TORTAS – CRÔNICAS POÉTICAS #21

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As histórias que já passaram e não deixaram hematomas são as melhores para serem contadas. Essa minha envolve tanta linha torta que seria injusto dizer que eu sou o protagonista. Sem querer soar piegas, poderia falar que o personagem principal é Deus, mas seria de uma prepotência gigantesca afirmar que com tanta obrigação em cima da mesa, o todo poderoso está preocupado comigo. “Vamos lá, entre tirar aquele vampiro da presidência ou dar uma mãozinha ao Shon, o que farei primeiro?”

Fui até uma Ong em Brotas para pegar uns livros que seriam a premiação do concurso de fantasia que iria encerrar o FLIHV, um festival literário que eu criei na escola em que ensino. É bem verdade que ano que vem ele se chamará FLISHON, por que faço tudo sozinho. Pois bem… desabafo à parte… A Ong era tão longe que o ponto de referência dela era um cemitério. Pois bem, cheguei. Fui tão bem atendido quanto o Temer seria no filme do Blade e saí de lá sem nenhum livro na mão.

Comecei a andar sem rumo, só para comprovar que aquela não havia sido uma viagem de balde. Fui procurar uma corda específica para contrabaixo mesmo nem sabendo se por ali havia lojas de instrumento. Pedi informações e acabei peregrinando por um lugar onde só tinha sol e ladeira. Eu não estava perdido, eu estava muuuuuuuito perdido. Pedi informações, mas pelo visto elas tinham a mesma validade que uma notícia do MBL. Comecei a passar mal, dor de cabeça, vômito, eis que eu vejo um supermercado Extra e, de forma louca, entendi que estava perto de casa. (sim, há um Extra relativamente perto daqui).

Entrei no supermercado, mas não o reconheci. Perguntei se estava no Extra da Rótula do Abacaxi e a resposta me fez perceber que nada é tão ruim que não possa piorar. Eu estava no Extra da Vasco da Gama (Vamos todos cantar de coração…). Não era distante de casa, era muuuuuuuuito distante de casa. Com dor de cabeça e ânsia de vômito, resolvi chamar um uber para dar um fim ao sofrimento.

35955010_10204773255808086_6282828076422266880_nOdeio ser o tipo de passageiro chato que fica usando o motorista como psicólogo, mas precisava desabafar. Ao dizer como fui destratado na tal Ong e que só queria pegar uns livros para os meus alunos, o rapaz me ofereceu uma mala de livros que ele tinha em casa e que sua mulher já estava reclamando dele ainda não ter dado fim. Prontamente aceitei a doação e pensei; Se não fosse o péssimo tratamento da Ong, a informação ruim sobre a loja de instrumento, o vômito no meio do caminho e o supermercado errado, eu não teria encontrado a pessoa que solucionou o meu problema.

Todas as linhas dessa história foram tortas e, por algum momento, achei que elas me levariam a um final não muito feliz. Mas se não está feliz, é por que não é o final. Li essa frase em algum lugar e, incrivelmente, ela faz muito sentido. E sobre as linhas tortas, na verdade elas sempre foram retas, a gente que lê torto. Obs.: Eu ainda ganhei uma mala. 

Beijos & Abraços Crônicos

Anderson Shon.

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