enferZAPem – CRÔNICAS POÉTICAS #27

cellphone

Tarde de sexta-feira, fui com minha vó no hospital Teresa de Lisieux (que por sinal, é péééééssimo, mas isso fica para um próximo episódio) para que ela fizesse todos os exames possíveis e, além de um bate-boca com uma enfermeira chefe que me disse que só uma delas era autorizada a fazer ligações internas, fiquei embasbacado com o principal aparelho utilizado pelos enfermeiros e médicos de lá; o celular. Não é só o celular e nem é para pesquisar alguma nova resolução no campo da medicina, é o famigerado Whatsapp. A quantidade de início alto de áudio (quando você clica no play e não dá tempo de chegar no ouvido sem começá-lo) era incontável. A cada troca de soro a mão ia até o bolso para ver se alguma titia tinha publicado a nova foto do sobrinho subindo no sofá ou algum vídeo pornográfico no grupo errado. Um rapaz disse que não podia me ajudar ostentando um sorrisão no rosto, pois falava comigo ao mesmo tempo que via um vídeo no celular. E se eu estivesse acompanhando alguém em situação de risco, aquele riso e displicência não seria ofensivo? Não acredito que isso seja uma característica dos profissionais de saúde do Teresa de Lisieux, acho que a doença do futuro entre médicos será a Torcicolus Abaixadus Pescoçus ou a Dedus Caindus. Representar uma médica ou um enfermeiro com um estetoscópio pendurado no pescoço é coisa do passado, agora é celular em uma mão e a outra aberta, palma esticada, pedindo pra você esperar, afinal, prioridades são prioridades.

Beijos & Abraços Crônicos

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