Asgard não é Wakanda e vice-versa. – Black Nerd #001

Estar de férias me dá a possibilidade de acordar e fazer uma boa leitura matinal. Ler pela manhã é um prazer que só perde para a oportunidade de urinar depois de ter ficado algumas horas segurando e ter até pensado no pior. Além da leitura, estou zerando todo o meu estoque de quadrinhos para poder morrer sem nenhum grande arrependimento financeiro. O escolhido da vez foi Thor – O Renascer dos Deuses. Percebi que nunca havia lido nenhuma HQ solo do Thor e nessa, que é bem legal, by the way, ele está procurando formas de reconstruir Asgard e “caçando” os asgardianos que vivem na pele dos terráqueos.

Foi a primeira vez que eu vi as Valquírias e o Heimdall  nas HQ’s e, pasmem, nenhum deles é negro. Então por que o cinema resolveu mexer na etnia desses personagens?  Não sei, mas faria sentido esses personagens serem brancos nos cinemas. Asgard é toda baseada na cultura nórdica, onde, geograficamente, se situa em países com um número baixo ou quase inexistente de negros. A terra natal de Thor nos quadrinhos é bem mais fincada nessa origem Viking e em tradições que podem ser encontradas em livros didáticos de história, enquanto no cinema é muito mais fantasiosa e se dá o direito de imaginar uma Asgard mais plural.

Transformar o porteiro de Asgard em negro e dar melanina a uma raça apresentada como renegada é o ideal? Não, com certeza não, o cinema tem optado por umas saídas fáceis e pouco corajosas; mudar o tom de pele ou o gênero de algum coadjuvante e pronto. A própria Marvel acertou ao fazer algo similar com a Mar-Vell lá em Capitã Marvel (vixe, quanta repetição!). No contexto do filme da heroína, trocar o gênero do personagem – que nos quadrinhos é homem – representou a oportunidade que poucas mulheres têm de ocupar um cargo de liderança em ambientes machistas. Porém, com o Heimdall e com as Valquírias não rolou.

“Mas pelo menos eles colocaram um negro no filme.” De pelo menos em pelo menos, a galinha não enche o papo. Esse é um discurso que não pode nortear as conversas sobre representatividade. E se você é do tipo que se incomoda com discussões desse tipo, te aconselho a ver os personagens do Novos Mutantes no quadrinhos e no cinema, pode ir lá ver. Digo e repito; quero os heróis negros no cinema, não que fiquem pintando personagem nenhum, se forem fazer isso, que seja com alguma propriedade, com alguma boa justificativa. Por que não fizeram o Loki negro, justificando que o tom de pele dele ainda guardava algo dos gigantes de gelo? Coragem não nasce em árvore. E se tudo é culpa do mimimi, eu vou ter a cara de pau de concordar e afirmar que é culpa do mimimjolnir. Raios & Trovões! #WakandaForever.

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