O PRIVILÉGIO DA QUARENTENA – PenSHONmentos #003

em
Texto e Locução de Anderson Shon

Queria começar esse texto indicando a quanto tempo estamos em isolamento social, mas, sendo bem sincero, não me lembro. Perguntei para a Alexa e ela me disse “Desculpe, não tenho certeza a respeito disso”. Qualquer mente, humana ou virtual, está entrando em colapso por estar a tanto tempo longe de afazeres rotineiros ou daquelas escapadas tradicionais para espairecer. Sinto saudade de sentir saudade da minha casa. Às vezes penso que não há nada pior do que estar em quarentena, mas há: não estar em quarentena.

A imagem anterior poderia fazer parte de uma campanha de prefeituras, governos, países, instituições, empresas, etc. Mas faltaram duas palavras que a tornaria mais empática: SE PUDER. Alguns tem o privilégio de ter a opção de fazer a quarentena, outros não. Como a palavra privilégio tem sido muito mal empregada ultimamente, vamos até sua etimologia para entendermos melhor. PRIVUS significa “individual, pessoal” e LEX “lei”. Logo, privilégio são as leis individuais de cada pessoa, leis peculiares, próprias de cada um. Algumas pessoas, dentro do seu privilégio, podem ficar em casa trabalhando, maratonando série, curtindo a família. Outras não. E não é por que elas são escravas do capitalismo, mas sim por que o capitalismo cria escravos. Alguns se preocupam com o que recebem no começo do mês, outros se preocupam com o que ganharam no final do dia.

“Ficar em casa pode salvar vidas” Certo, mas, para alguns, ir trabalhar também, só que a diferença é que as vidas que ele ou ela salvam dentro de casa tem nome e sobrenome conhecido. “Mas está colocando a vida em risco” Alguns duvidam e outros nem tem tempo pra isso ou a vida vai e atropela. “Eles só vão aprender quando a doença chegar.” É melhor torcermos para que ela não chegue, ou você realmente acha que as pessoas que estão trabalhando em meio a todo esse caos, estão lá por que querem? E eu não estou falando de quem saiu pra beber, pra se exercitar, pra ficar jogando papo fora numa praça, estou falando sobre milhões de brasileiros que ao colocar uma máscara, ficaram ainda mais invisíveis.

Portanto, se você puder ficar em casa, fique. Se você puder ajudar alguém a ficar em casa, ajude. Se você conseguir convencer algum chefe a liberar seus funcionários, convença. Diferente disso, se você puder entender, entenda. O mundo é muito maior do que a bolha que alimentamos cotidianamente. Sem mais. Ah, fique em casa… se puder.

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