Faria diferença se o Goku fosse negro? – BLACK NERD #007

Na última quinta-feira (dia 7 de Maio) Emicida lançou o clipe da música Quem Tem Um Amigo Tem Tudo, onde homenageia o anime Dragon Ball com uma mudança bem interessante nas características do personagem principal. No clipe Goku é negro – com trejeitos do próprio Emicida – e seu Mestre é o Zeca Pagodinho, que pode facilmente ser o Sr. Kame da nossa época.

E não é só o Goku que teve sua etnia alterada, Bulma, Chaos, Tenshinhan, Kami Sama, todos passaram a ser negros no clipe do Emicida. Diante de tal perspectiva, me veio uma pergunta; faria diferença se o Goku fosse negro? Perguntei isso no instagram e no whatsapp e as respostas me levaram a tal reflexão.

Todos os negros e negras me responderam que sim, que eles adorariam ver um personagem da grandeza de Goku com a pele negra. Pessoas não negras me deram três tipos de respostas diferentes. “Sim, isso seria importante para várias pessoas se sentirem representadas.”, “Não faria diferença, pois cor não define nada.” e “Vindo de uma cultura e lenda oriental, seria muito estranho que ele tivesse a cor de pele pouco encontrada no seu país de origem”. Sabe o que essas respostas tem em comum? Todas estão certas.

Muito se discute sobre representatividade e há diversos exemplos sociais que comprovam como é positivo ter ambientes plurais.

Porém, é importante entender como isso pode acontecer e as suas raízes. Ver Emicida transformar Goku em negro é ótimo, mas isso não pode ser exigido do Akira Toryama ou de qualquer outro criador de séries orientais. Eles estavam tentando representar os seus, contar suas próprias histórias. Vale a ressalva que no ocidente sempre houve um tipo de “YellowFace”, os orientais sempre foram representados pelo cinema como figuras padronizadas, estranhas e excêntricas.

Mickey Rooney interpretando um oriental em Bonequinha de Luxo

O “problema” é que crescemos sobre forte influência da cultura japonesa, nos acostumamos com animes, desenhos e live actions sem representatividade negra. Mas, ao percebermos o mal social que isso criou, colocamos uma faca nos dentes para cobrar isso de todos. “Calma, Pedro, dá uma respirada, solta o ar”. Isso pode ser cobrado de Hollywood, do cinema francês, da Disney, Marvel, DC, audiovisual nacional, de diversos lugares onde a figura do negro fez e faz parte da construção cultural e social, que não é o caso do continente asiático. O Japão só tem 1,9% de imigrantes dentro de uma população 126,2 milhões de habitantes. O E.U.A. com 14% de negros e o Brasil com 54% não cumprem com sua obrigação moral de representar bem a etnia que eles tanto judiaram, imagina os japoneses?!

Goku negro faria diferença? Sim, seria incrível, mas não quero que minha representatividade passe por cima da de ninguém. Temos nossos heróis, nossos desenhos, nossos países fazendo a nossa arte. Só é preciso um olhar mais plural de quem faz a máquina girar ou uma união de minorias sociais para que todos façamos ela girar juntos, afinal “Os limites só existem se você os deixar existir.” frase de Son Goku. E Emicida, muito obrigado, o clipe é incrível e a música é deliciosa. Quem tem um amigo tem tudo. #WakandaForever

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