Personagens negros do universo Batman – Black Nerd #008

Esse texto poderia terminar nesse primeiro parágrafo e sem utilizar muitas linhas, mas não vai. O homem morcego é quase uma unanimidade entre os fãs de quadrinhos, há quem goste mais ou menos, mas achar alguém pra odiar suas histórias é algo bem difícil. O torna seu universo criativo e infinito é a quantidade de personagens existentes na Gothan – que funciona quase como um personagem também – fazendo com que diversas HQ’s tenham antagonistas ou coadjuvantes protagonizando, algumas até se valendo da ausência do Batman. É assim no Coringa do Brian Azzarelo, o Batman Ano 1, Submundo de Gothan, entre outras. Apesar desse rico universo de Batman, pouquíssimos personagens negros são encontrados. Infelizmente, os pouquíssimos existentes não oferecem alguma relevância pra história. Somente um, mas ainda assim conseguiu ser escanteado, mesmo sendo essencial para o sucesso de Bruce Wayne e do Batman.

Luke Fox como o Batwing

Crispus Allen e família, Duke Thomas, Dr. Shondra, Silken Spider, David Zavimbe, Lucius Fox, Tamara Fox, Tiffany Fox e Luke Fox. Esses são os nove negros – quatro da mesma família – existentes no universo Batman. Espero não estar cometendo alguma grande injustiça, mas minhas pesquisas só me apontaram esses nomes, se alguém conhecer mais algum, por favor, me fale.

Duke Thomas, ou Sinal, surgiu na leva dos Nós Somos Robins e foi um dos adolescentes a lutar por Gothan. Seus pais foram mortos pelo Coringa, na tentativa do palhaço do crime de recriar a cena do assassinato de Marta e Thomas Wayne. Shondra Kinsolving foi adotada, junto com o irmão, por uma família, mas isso foi um de seus problemas iniciais. Seu pai adotivo era racista e havia adotado negros para poder expor sua raiva. Os irmão tinham poderes psíquicos e mataram o racista. Shondra ficou muito mal com o que fez e acabou fugindo de casa. Mais tarde, se tornou fisioterapeuta e se aproximou da Batfamília através de seu paciente Jack Drake, pai de Tim Drake, o Robin. A única vilã do grupo é a Silken Spider (tão conhecida que existem pouquíssimos registro de um suposto nome em português,a a Aranha de Seda). Ela foi uma das três vilãs mais procuradas de seu quadrinho de origem, em 1966, só que na época ela não era uma personagem negra… exato, foi um tipo de Michael Jackson Benjamin Button. A personagem só apareceu com características afro muitos anos depois. O policial congolês David Zavimbe foi o primeiro a vestir o manto do Batwing. Posteriormente, foi substituído por Luke Fox, filho de Lucius, pois foi enfrentar uns tiranos no Congo e lá se tornou o primeiro Batman afro-americano. Atualmente, Luke Fox está cotado para viver o Batman numa versão alternativa do herói. Tamara é irmã de Luke e tem uma participação importante investigando o paradeiro de Tim Drake em Red Robin e Tiffany teve sua maior relevância em um universo alternativo dos Novos 52, chegando até a vestir o manto de Batgirl. Cripus Allen é um detetive de Gothan que fazia vista grossa para as atrocidades noturnas do homem morcego. Por um momento foi o Spectro, entidade que o manteve vivo mesmo após ser covardemente baleado.

O fã mais hardcore de quadrinho talvez conheça o Batwing, tanto a versão do David, quanto a do Luke, mas a grande massa – muito por conta do Nolan – sabe quem é Lucius Fox, braço direito das Empresas Wayne. Mas o fato dele ser negro faz alguma diferença na história?

Batman: 10 Things About Lucius Fox You Never Knew | ScreenRant

A primeira ressalva que é válida fazer é que o Batman nasce em 1939 e seu primeiro personagem negro com relevância – Lucius Fox – vem só em 1979, quarenta anos depois da criação do herói. Dito isso, vamos analisar a função dele dentro da história do homem morcego. Lucius Fox é criado como o personagem que cuida da burocracia da Wayne Enterprise e é responsável pelos aparatos tecnológicos que turbinam o batsuit. Sua atitude é fundamental para garantir que a imagem de Bruce Wayne não seja contestada pelo executivos da Wayne Enterprise, o que o levaria a dividir mais o seu tempo entre seu ego e seu alter ego (sejam eles quais forem). Façamos nossa segunda ressalva. Batman já foi adaptado para várias obras audiovisuais. Logicamente, o da década de 60 – de Adam West – não apresentava Lucius, pois ele ainda nem existia nos quadrinhos. Mas a quadrilogia de “Tim Burton”, a bilogia de Zack Snyder e o novo filme com Robert Pattinson – pelo que podemos deduzir – aglutinam o papel de Lucius na figura do Alfred, dando a ele o troféu Tia Anastácia do universo DC. Podemos ver o Lucius nos jogos do Arkhan e na série Gothan, mas sem grande importância. Porém, Nolan e sua trilogia nos apresenta um Lucius com importância fundamental para a origem do Batman. Obrigado, Nolan. Apesar de sua grande participação na evolução do Batman, seu nome é facilmente esquecível.

É importante deixar claro que esse texto não tem propósito de ser conclusivo, muito pelo contrário, ele é um ponto de partida para que a gente comece a refletir sobre o papel da cultura pop na representatividade e no equilíbrio de importância entre as diversas facetas sociais. Após toda essa análise, eu continuo fã do homem morcego e você pode continuar também, sem problema. Na verdade, quanto mais fãs de batman lendo isso melhor, afinal, o cavaleiro das trevas sempre brigou por justiça. Seus fãs, imagino eu, iriam querer isso também. #WakandaForever

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