Estamos brigando pelo quê? Pela guerra ou pela paz? – PenSHONmentos #006

Lola Aronovich on Twitter: "Esta charge do Gilmar @cartdascavernas ...
Charge de Gilmar @cartdascavernas

É necessário que você veja o vídeo anterior e essa charge aqui do lado para entender o intuito desse texto. Porém, para que ninguém me interprete mal, não quero defecar regras e nem parecer o Do Contra, só quero expor uma opinião e talvez uma opinião que possa fazer muita gente refletir.

Pronto, a minha pergunta é: O policial agiu corretamente? Se fosse um negro de periferia, ele agiria igual? E não ache que irei te perguntar o que você faria no lugar dele, pois você não é policial, não passou por treinamento e não ganha um salário mensal para tomar esse tipo de decisão. Mas pra mim, o policial agiu corretamente, por que existia ali uma vida que precisava ser poupada, a da criança.

Cresci lendo quadrinhos, principalmente Batman, e aprendi que uma criança traumatizada carrega aquilo pro resto da vida. Imagina como seria doloroso ver e/ou ouvir seu pai aos berros sendo arrastado para um camburão, vociferando as piores palavras possíveis, urrando de dor. Não que o rapaz em questão não merecesse, ele merecia, mas a criança não tem culpa de ter o pai que tem. Não quero pensar numa mente infantil que dormiria com o eco do seu pai sofrendo – independente da origem – enquanto tenta se fechar a espera de um novo dia ressurgir.

Estamos brigando pelo quê? Pela guerra ou pela paz? Nós estamos brigando para que os policiais deixem de ser violentos nos guetos, nas quebradas, nas favelas ou queremos que eles também sejam na casa grande? Não há dúvidas, tudo que vivemos e vemos nos leva a crer que se esse vídeo fosse em outro cenário, a abordagem policial seria muito violenta. A questão que nos acostumamos tanto com a polícia trabalhando errado que quando ela acerta causa indignação. Queremos crianças negras e brancas sendo priorizadas, não tendo o futuro castigado por abalos físicos e/ou psicológicos.

Longe de mim estar querendo descaracterizar a indignação de outras pessoas. Cada um carrega em si suas histórias e dores, nós somos o reflexo disso. Porém, meu único pedido, é uma autorreflexão para entendermos qual é mesmo a linha de chegada do nosso combate diário. O descrédito com a polícia é culpa da própria polícia, se ela quiser o povo por perto, que nos trate como aliados e não como inimigos. Não dá pra colher paz onde se planta ódio.

1 comentário Adicione o seu

  1. Ana Valeria disse:

    Muito bom o texto! Excelente reflexão.

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