Lula pode estar livre, mas nós não estamos – PenSHONmentos #020

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O ano é 2015, Tony Stark criou uma inteligência artificial que comanda vários robôs ao redor do mundo em busca da paz. Quando a inteligência ganha consciência, nasce Ultron que, após poucos segundos na internet, percebe que a raça humana precisa ser dizimada. Ultron tem a ideia de passar o seu corpo para um sintozóide muito mais resistente, mas o projeto vai parar nas mãos de Tony Stark. Qual a ideia do nosso Homem de Ferro? Pegar o modelo da inteligência artificial criada e colocar dentro do sintozóide, mesmo plano que havia dado errado no início do filme. “Eu voltei no tempo, estou preso num looping temporal, foi exatamente aqui que tudo deu errado.” Essa frase do Bruce Banner é bem significativa.

O ano é 2021, a internet explode com a notícia de que o ex-presidente Lula volta a ser elegível para algum cargo político. Se há uma unanimidade não unanima é que Bolsonaro já fez todas as cagadas que podia fazer, já passou da hora deve excremento largar o osso. Porém, cada vez fica mais distante a esperança de que alguém conseguirá derrotar o Bozo nas próximas eleições e as últimas notícias não são animadoras. Odiar o PT é compreensível, não pelo que ele fez durante o comando do país, por que, na minha humilde opinião, os pesos e as medidas jogam a favor, o problema é o comportamento do partido após perder o poder, deixando bem claro que o Brasil, para eles, parece estar em segundo plano.

O ano é 2018, a estratégia em colocar Haddad como candidato não era ruim, mas não deu certo. Ficou claro que o ódio a Bolsonaro e ódio ao PT são primos próximos e nessa disputa, quem vestia vermelho chorou no final. Desde então e, principalmente depois das eleições norte-americanas, ficou notório que pra derrotar essa onda bolsonarista será necessário uma união da esquerda com um símbolo que traga a esperança de um futuro vindouro… mas nós estamos presos ao passado. Pensar em Lula e no PT como esse símbolo de renovação é como contratar o Zagallo para dar uma renovada na seleção brasileira.

Estamos presos a uma narrativa que já não deu certo no passado. Nos agarramos na ideia de que Bolsonaro tem menos força, mas esquecemos que o PT também está mais fraco, é só olhar as eleições de 2020. Se a esquerda se dividir em 2022, como se dividiu em 2008, estaremos naufragando da mesma forma. Somos o Tony Stark criando Ultrons, sem ter uma Visão mais reflexiva do passado, para acessar um bom futuro. “Loucura é querer resultados diferentes fazendo tudo exatamente igual!” Einstein nunca esteve tão presente, só espero que não achem que é uma boa ideia votar nele também.

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