Black Nerd 012 – Personagens negros do universo Batman

Quais personagens do universo Batman são negros? Se esse texto fosse a simples respostas dessa pergunta, ele poderia terminar nesse primeiro parágrafo, sem utilizar muitas linhas, mas não vai. O homem morcego é quase uma unanimidade entre os fãs de quadrinhos, há quem goste mais ou menos, mas achar alguém pra odiar suas histórias é algo bem difícil. O que torna seu universo criativo e infinito é a quantidade de personagens existentes em Gothan – que funciona quase como um personagem também – fazendo com que diversas HQ’s tenham antagonistas ou coadjuvantes protagonizando, algumas até se valendo da ausência ou mínima presença do Batman. É assim no Coringa do Brian Azzarelo, o Batman Ano 1, Submundo de Gothan, entre outras. Apesar desse rico universo de Batman, pouquíssimos personagens negros são encontrados. Infelizmente, os pouquíssimos existentes não oferecem alguma relevância pra história. Somente um, mas ainda assim conseguiu ser escanteado, mesmo sendo essencial para o sucesso do Bruce Wayne e do Batman.

Crispus Allen e família, Duke Thomas, Dr. Shondra, Silken Spider, David Zavimbe, Lucius Fox, Tamara Fox, Tiffany Fox e Luke Fox. Esses são os negros – quatro da mesma família – existentes no universo Batman. Espero não estar cometendo alguma grande injustiça, mas minhas pesquisas só me apontaram esses nomes, se alguém conhecer mais algum, por favor, me fale.

Crispus Allen como Spectro.

Duke Thomas, ou Sinal, surgiu na leva dos Nós Somos Robins e foi um dos adolescentes a lutar por Gothan. Seus pais foram mortos pelo Coringa, na tentativa do palhaço do crime de recriar a cena do assassinato de Marta e Thomas Wayne. Shondra Kinsolving foi adotada, junto com o irmão, por uma família de Gothan, mas isso foi um de seus problemas iniciais. Seu pai adotivo era racista e havia adotado negros para poder expor sua raiva. Os irmãos tinham poderes psíquicos e mataram o racista. Shondra ficou muito mal com o que fez e acabou fugindo de casa. Mais tarde, se tornou fisioterapeuta e se aproximou da Bat-família através de seu paciente, Jack Drake, pai de Tim Drake, o Robin. A única vilã do grupo é a Silken Spider (tão conhecida que existem pouquíssimos registro de um suposto nome traduzido, eles indicam o codinome Aranha de Seda). Ela foi uma das três vilãs mais procuradas de seu quadrinho de origem, em 1966, só que na época ela não era uma personagem negra… exato, foi um tipo de Michael Jackson Benjamin Button. A personagem só apareceu com características afro muitos anos depois. O policial congolês David Zavimbe foi o primeiro a vestir o manto do Batwing. Posteriormente, foi substituído por Luke Fox, filho de Lucius, pois foi enfrentar uns tiranos no Congo e lá se tornou o primeiro Batman afro-americano. Tamara é irmã de Luke e tem uma participação importante investigando o paradeiro de Tim Drake em Red Robin e Tiffany teve sua maior relevância em um universo alternativo dos Novos 52, chegando até a vestir o manto de Batgirl. Crispus Allen é um detetive de Gothan que fazia vista grossa para as atrocidades noturnas do homem morcego. Por um momento foi o Spectro, entidade que o manteve vivo mesmo após ser covardemente baleado.Vale a ressalva de que Luke Fox virou o Batman no universo Future State.

O fã mais hardcore de quadrinho talvez conheça o Batwing, tanto a versão do David, quanto a do Luke, mas a grande massa – muito por conta do Nolan – sabe quem é Lucius Fox, braço direito das Empresas Wayne. Mas o fato dele ser negro faz alguma diferença na história?

Lucius Fox

A primeira ressalva que válida a fazer é que o Batman nasceu em 1939 e seu primeiro personagem negro com alguma relevância – Lucius Fox – veio só em 1979, quarenta anos depois da criação do herói. Dito isso, vamos analisar a função dele dentro da história do homem morcego. Lucius Fox é criado como o personagem que cuida da burocracia da Wayne Enterprise e é responsável pelos aparatos tecnológicos que turbinam o batsuit. Sua atitude é fundamental para garantir que a imagem de Bruce Wayne não seja contestada pelo executivos da Wayne Enterprise, o que o levaria a dividir mais o seu tempo entre seu ego e seu alter ego (sejam eles quais forem). Façamos nossa segunda ressalva. Batman já foi adaptado para várias obras audiovisuais. Logicamente, o da década de 60 – de Adam West – não apresentava Lucius, pois ele ainda nem existia nos quadrinhos. Mas a tetralogia de “Tim Burton”, os longas de Zack Snyder e o novo filme com Robert Pattinson – pelo que podemos deduzir – aglutinam o papel de Lucius na figura do Alfred, dando a ele o troféu Tia Nastácia do universo DC. Podemos ver o Lucius nos jogos do Arkhan e na série Gothan, mas sem grande importância. só o Nolan e sua trilogia nos apresenta um Lucius com importância fundamental para a origem do Batman. Obrigado, Nolan. Crer numa Gothan sem negros é tirar bastante do brilho real que a cidade tem na mente dos seus leitores – pelo menos nos que se importam com isso.

Batman – Cavaleiro das Trevas, 2008

É importante deixar claro que esse texto não tem propósito de ser conclusivo, muito pelo contrário, ele é um ponto de partida para que a gente comece a refletir sobre o papel da cultura pop na representatividade e no equilíbrio racial e social. Após toda essa análise, eu continuo fã do homem morcego e você pode continuar também, sem problema. Na verdade, quanto mais fãs de Batman lendo isso melhor, afinal, o cavaleiro das trevas sempre brigou por justiça. Seus fãs, imagino eu, iriam querer isso também. #WakandaForever

Porque não é mimimi?

Um dos maiores heróis das histórias em quadrinho e único a se preocupar em tentar manter um pé na realidade, esquece de perceber que essa mesma realidade também é dividida com pessoas negras. Quantos debates, matérias, artigos já não foram produzidos com a premissa do que seria necessário para o Batman ser real. Gothans existem em todas as partes do mundo e, posso afirmar, em todas elas existem pessoas negras. Situações assim nos deixam na dúvida sobre a intenção por trás dessa constante exclusão. Aos poucos os quadrinhos do Batman – e outros que também poderia estar aqui – estão entendendo sua própria dimensão e corrigindo os erros do passado. Então… não é mimimi.

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