PenSHONmentos 021 – Amor próprio?

Se você é um usuário do instagram – então me segue lá, @AndersonShon kkkkkk -, posso deduzir que sua timeline te apresenta, às vezes, imagens e legendas que não parecem fazer muito sentido. Na minha  não é diferente, mas o que mais me inquieta e intriga são os posts sobre amor próprio. Não que eu queira aqui criar uma regra sobre como você deve se amar, o que realmente quero é entender e refletir o motivo que leva o amor próprio a ser tão objetivamente visível. Eu sei que vivemos a era do registro, mas, até onde entendo, o registro nasce da experiência e não vice-versa.

Uma pessoa semi-nua tapando somente as partes que podem ser censuradas pelo instagram põe na legenda um texto gigante sobre o quanto ela se ama e para provar isso se despe de qualquer medo de julgamento. A postagem seguinte mostra a mesma pessoa se empanzinando de fast food e brincando com a ideia de que vai comer até passar mal. Há alguma contradição nisso ou eu estou ficando velho e chato? Por que o amor próprio – PRÓPRIO – está somente associado as partes externas do corpo? Eu amo meu cabelo, por isso o deixo natural, amo minhas gordurinhas, por isso uso biquíni ou sunga na praia, amo a minha magreza, por isso posto fotos sem camisa… mas ninguém ama o próprio cérebro, o próprio estômago, o próprio fígado… Que tipo de amor é esse?

A aceitação do corpo, do cabelo, de características que eram vistas como feias é super importante, meu texto não é sobre isso, mas sim sobre o amor próprio que só tem validez no externo. Talvez alguém se ame tanto ao ponto de se permitir comer uma guloseima por dia, mas isso seria como estar num relacionamento abusivo só por que o sexo é bom. Quero refletir sobre uma armadilha que faz com que o amor próprio seja dependente de uma validação. Colocar uma foto no instagram se amando faz com que os comentários reforcem esse amor, eu sei, mas se é assim, então ele não é tão próprio como dizem.

A internet é uma ferramenta que grande alcance, mas o nosso interior não precisa ser alcançada por ela, ou melhor, não antes que nós mesmos alcancemos ele. Ser refém de comentários, curtidas, avaliações está longe de ser uma das características de quem realmente cultiva um amor próprio. A autoestima pode ser resgatada de várias formas, mas ela começa com o prefixo AUTO exatamente por falar do que nós temos dentro. Lembra da rainha da Branca de Neve? A necessidade da validação de sua beleza a fez querer matar uma jovem indefesa. Será que não é esse sentimento que existe dentro de você e você só está o renomeando de amor próprio?

Evitar stress, comer bem, não fazer o uso abusivo de drogas lícitas ou ilícitas, praticas exercício físico, fazer terapia, meditar, todas essas também são formas de amor próprio. Repito, a aceitação do próprio corpo é fundamental, mas nosso corpo não é composto somente do que se é visível. Se amar por completo, é um exercício diário e fundamental para alcançar a plenitude. Ame-se!

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