PenSHONmentos 022 – Tom Zé sempre esteve certo

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Dizer que Tom Zé sempre esteve certo – sim, eu repeti o título na primeira frase do texto, você pode desistir por aqui mesmo – é redundância, principalmente quando não conseguimos entender muito bem o que ele diz – quase sempre- nos deixando numa situação complicada para discordar. O refrão da música Geração Y do álbum Vira Lata na Via Láctea traz um Tom lamuriante repetindo a frase “Daqui há alguns anos vamos ter que governar / Daqui há alguns anos, infelizmente governar”, é bem verdade que esse pode ser considerado o segundo refrão mais certeiro do Tom Zé, ficando atrás de “Parassá penteu escuta cá/ Parassá penteu escuta aqui/ Quando Baco bicou no barco/ Tinha Pigna…” A música Geração Y nos avisa que a juventude precisará se envolver na política antes que a vaca vá pro brejo. Porém, confiar numa em jovens que tem como hobby desdenhar dos problemas dos outros através do twitter pode não ser uma grande solução, mas talvez seja essa a faísca de luz no fim do túnel.

“Puta! Que tragédia desaba sobre nós” Os principais delírios da extrema direita – quase parafraseando a Juliana Paes – são geriátricos, oriundos de demandas sobre uma sociedade que não existe há muito tempo, são da época em que o Casseta & Planeta tinha graça e muito por fazer piada em cima de fatos que sempre foram alarmantes, mas a gente (Eles) não conseguiam ver. Fechar STF, voto impresso, desfile de tanques flatulentos, até o mais jovem apoiador de Bolsonaro deve secretamente se envergonhar de tantas medidas que visam criar a primeira máquina do tempo real. Ninguém tá afim de acordar na década de 60, nem os críticos de música mais saudosos.

“Os nossos ideais, ai que diria!? No mesmo camburão da burguesia” A briga pelo poder – com seus ritos e delitos – nunca foi uma briga anticorrupção. E Tom Zé sabe quem pode mudar isso… os jovens. Apesar de ter seus representantes em uma ala reacionária, temos como principal característica a briga por espaço, por ideais não segregantes, por ações que não façam ninguém ser o último a ser escolhido no futebol. E não falo de esquerda ou direita, falo de intenção, a juventude pode achar que o melhor é o assistencialismo ou a economia acima de tudo, ela só não pode achar que o objetivo final não é o social. E é mais fácil esperar um comportamento positivo de uma geração que viu o Brasil virar um losango social por causa do olhar delicado e preocupado com os mais necessitados do que esperar isso de quem chama a normalização da tortura de revolução.

“Oh yes! Wirelles. Um ET dentro do HD” A geração Y nasceu com a internet nas mãos. O cordão umbilical e uma conexão banda larga – ainda usam esse termo? –  tem quase a mesma importância, os dois são a ligação entre eles e o mundo. Estar ultraconectado pode nem ser a melhor das experiências, mas a política não pode ser o local dos ignorantes, das pessoas que não sabem o limite de suas ações nas redes, tipo colocar uma vídeo de um homem urinando no outro em um tweet presidencial ou postar fotos ensinando uma criança a fazer arminha com o dedo. A consciência dos impactos digitais estão no cerne dessa geração Y, apesar dela mesma ser produtora de hates e cancelamentos desnecessários, transformando-os realmente no novo bando de antropomórficos. Alguns da cintura pra cima, outros da cintura pra baixo.

De qualquer jeito, pelo bem ou pelo mal, a geração Y terá que governar, e o “daqui há alguns anos” dito em 2014, já está se aproximando. Essa é uma saída pra esse buraco político que estamos empacados. A música ainda termina com um gemido de prazer nos contando que a política da geração Y será como sexo, só valerá a pena se chegarmos lá. “daqui há alguns anos, severamente governar”.

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